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Avanços na medicina e cuidados dos tutores fazem com que pets tenham maior expectativa de vida

  • Foto do escritor: Denyze Nascimento
    Denyze Nascimento
  • 12 de dez. de 2022
  • 5 min de leitura

Ser tutor de um pet é ter a certeza de que jamais se estará sozinho. Além da companhia, animais de estimação, como cães e gatos, oferecem afeto e dão um colorido a mais na vida de qualquer ser humano. Sendo assim, é essencial garantir o bem-estar dessas criaturas. Para a veterinária Layla Lívia de Queiroz, doutoranda em Ciência Animal, bem-estar significa oferecer liberdade, conforto, comida e água na quantidade ideal e, ainda, manter o bichinho livre de dor e doenças.

Médico veterinário Rafael Gustavo Pinheiro: “um cachorro de 16 anos, por exemplo, não é considerado mais idoso. A maioria tem uma vida ativa”

Segundo o médico veterinário Rafael Gustavo Pinheiro, mestre em Comportamento Canino, além da expectativa de vida dos cães ter aumentado consideravelmente nos últimos 10 anos – os de pequeno porte podem viver cerca de 20 anos, e os de grande porte aproximadamente de 15 –, atualmente esses animais vivem com mais qualidade de vida. “Um cachorro de 16 anos, por exemplo, não é considerado mais idoso. A maioria tem uma vida ativa”, diz.

Ainda segundo o especialista, por conta dessa longevidade crescente, os cães têm sido acometidos por várias doenças, como câncer e Alzheimer. “Algumas pessoas acreditam que isso acontece em decorrência da ração que eles comem, mas isso é mito. O aumento dessas enfermidades está ligado à senilidade”, revela. Para Rafael Gustavo, o maior tempo de vida dos animais estar relacionado aos cuidados que as pessoas têm tido com os bichos e à evolução da medicina veterinária, que hoje consegue diagnosticar e tratar inúmeras doenças.

Conforme aponta a veterinária Layla, as vacinas também são cruciais para garantir a qualidade de vida e longevidade dos pets, pois combatem inúmeras doenças. Além da vacina contra raiva (antirrábica), é imprescindível aplicar a polivalente, a V 10, e as que previnem gripe, giárdia, leishmaniose e aquelas que melhoram a imunidade. “A vacinação não deve ser feita somente quando o animal é filhote, mas anualmente”, orienta. Também é preciso fazer vermifugação a cada 4 meses.

Médica veterinária Layla Lívia de Queiroz: “a vacinação não deve ser feita somente quando o animal é filhote, mas anualmente”

A castração é outro fator que contribui para vida-longa de cães e gatos. Como explica a veterinária, a castração previne câncer de mama, de útero, infecção no útero e doenças da próstata. Também é essencial realizar um check up preventivo anualmente, pois muitas doenças são silenciosas. “Geralmente é preciso fazer exame de sangue, de urina e ultrassonografia”, diz Layla.

“Um animal de estimação vai depender por mais de uma década de você. Em função disso, é sua obrigação oferecer alimentação de qualidade, levar ao veterinário, dar amor, carinho. Enfim, eu acho que é o mínimo que um ser humano pode fazer por eles”, enfatiza Rafael Gustavo.


Comedouro

Conforme explica o veterinário, não há problema do comedouro ou bebedouro ficarem no chão, a não ser que o animal tenha algum problema na traqueia ou pescoço. No entanto, o recomendável é que sejam mais pesados, para quando o animal for se alimentar não derramar a comida ou a água. “Cães de grande porte, labrador para cima, é até legal colocar o comedouro um pouco mais alto, porque eles têm uma tendência a ter megaesôfago”, comenta. Todavia, se o animal não tiver nenhum problema, a vasilha pode ficar no chão. Caso o cão/gato tenha refluxo, regurgite ou engasgue após se alimentar, é preciso levá-lo ao veterinário. Também é indispensável fazer a higienização de comedouro e bebedouro diariamente.


Saúde bucal

Os pets devem ter os dentes escovados diariamente, isso evita mau hálito e doenças periodontais. Segundo Rafael Gustavo, existem no mercado diversos medicamentos e produtos que podem ajudar na remoção do tártaro. “Alguns produtos, quando colocados na água, ajudam a dissolver um pouco da placa bacteriana. Mas nada substitui a escovação diária”, corrobora. Layla salienta que a escova e a pasta devem ser específicas para o pet. “Também é possível utilizar uma dedeira, basta acoplá-la ao dedo. Isso facilita muito a escovação”, assegura.


Banho

Os cachorros devem tomar banho, no máximo, uma vez por semana com xampus específicos para eles, não utilize sabão ou sabonete porque o Ph da pele dos cães é totalmente diferente da dos humanos. “Banhos em demasia tira a proteção da pele e acaba prejudicando”, alerta Layla.


Hidratação

Cachorros, principalmente os de raça braquicefálicas (que têm focinho achatado), como Bulldog Francês, Pug, dentre outros, sofrem bastante com a baixa umidade do tempo. O tempo seco dificulta a respiração e faz com que o focinho fique ressecado. Por isso, é importante passar algum hidratante (próprio para animais) ou usar soro fisiológico. Para evitar que as patinhas fiquem ressecadas ou sofram queimaduras, evite passeio entre às 10 e 17 horas. Também é interessante colocar botinhas ou meias para evitar esses incidentes.


Guias

Conforme orienta o veterinário, as melhores guias são as peitorais. “Aquelas que pegam no pescoço ou os enforcadores podem trazer uma série de complicações, principalmente para traqueia”, alerta.



NOVIDADES PARA A VIDA CANINA


Brinquedos inteligentes: tem como objetivo estimular o cérebro do animal, impedindo o atrofiamento, e melhorar os instintos, principalmente o olfato.


Alimentação natural: arroz, legumes, carne e ossinhos veganos são as tendências do momento. Contudo, é preciso ressaltar que alimentação natural não está ligada aos restos de comida, mas a um cardápio preparado especialmente para o seu melhor amigo. Por isso, é preciso consultar um veterinário com especialidade em Nutrologia para preparar uma alimentação balanceada que atenda as necessidades nutricionais do cão.

Academia: hoje, alguns pet shops contam com academia desenvolvida especialmente para cachorros que precisam perder peso ou manter a boa forma. Nesses locais é possível fazer esteira, natação, etc. A obesidade canina pode desenvolver uma série de enfermidades, como diabetes, problemas articulares e cardiovasculares.




Creche: esses locais ajudam na socialização do cão, auxiliam na saúde, diminuem a ansiedade canina, haja vista que o cachorro estará em matilha e não ficará ansioso à espera do tutor.

Festas temáticas: essas celebrações são importantes pois permitem que os cães estejam em matilha. Alguns pet shops no Brasil já realizam festas junina, halloween, dentre outras festividades voltadas especialmente para os bichinhos de quatro patas. “Se o animal é como um filho, por que não levá-lo a uma festa?”, indaga Rafael Gustavo.




Antiparasitários: em 2015 foi lançado no Brasil os comprimidos para pulgas e carrapatos. Conforme comenta o especialista, esta novidade revolucionou o tratamento contra os parasitas, diminuindo consideravelmente os casos de erlichiose – doença do carrapato.


CFMV APROVA NORMA EM PROL DO BEM-ESTAR DOS PETS

“Eu não sou cachorro não, para viver tão humilhado...”, esses versos de Waldick Soriano durante tempos elucidou a vida canina. Todavia, para coibir de uma vez por todas essa desumanidade, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) publicou dia 29 de outubro, de 2018, a resolução 1.236, a norma diferencia práticas de maus-tratos, crueldade e abuso. Segundo a nova medida, maus-tratos são atos ou até omissões que provoquem dor ou sofrimento desnecessários, como, por exemplo, deixar o cachorro muito tempo exposto ao sol no quintal sem oferecer a ele um abrigo. Não levar o animal ao veterinário, quando necessário, pode ser considerado abandono.

Crueldade é submeter os animais a maus-tratos de forma intencional ou continuada, como competições que promovam o estresse físico e mental. O abuso, de acordo com a resolução, é qualquer ato intencional que implique no uso despropositado, indevido e excessivo, demasiado, incorreto de animais, causando prejuízos de ordem física ou psicológica, incluindo os atos caracterizados como abuso sexual.

A resolução completa pode ser conferida portal.cfmv.gov.br


Reportagem publicada na Revista Goyaz

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