“Barrigão” é fator preponderante para o surgimento de Síndrome Metabólica
- Denyze Nascimento

- 9 de jun. de 2022
- 5 min de leitura
Sabe aquele acúmulo de gordura na barriga? O famoso “pneuzinho que você chama de excesso de gostosura? Pois é, saiba que esse excedente de camada adiposa na região abdominal pode ser a porta de entrada para a Síndrome Metabólica (SM) – problema diretamente ligado à obesidade e ao envelhecimento. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), um em cada 8 adultos é obeso. A projeção é que em 2025 cerca de 2,3 bilhões de pessoas estejam acima do peso, sendo mais de 700 milhões com obesidade.
Além disso, uma pesquisa realizada em 2017 pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) e Ministério da Saúde mostra que a obesidade afeta 18,9% dos brasileiros e o sobrepeso atinge 54% da população. Entre os jovens, de 2007 a 2017, a obesidade aumentou 110%. Esse índice foi quase o dobro da média nas demais faixas etárias (60%). O crescimento foi menor nas faixas de 45 a 54 anos (45%), 55 a 64 anos (26%) e acima de 65 anos (26%).
Síndrome Metabólica

A SM começou a ser estudada no começo da década de 1980 pelo endocrinologista norte-americano Gerald Reaven. À época, ele percebeu que alguns pacientes obesos, principalmente com maior concentração de gordura abdominal, apresentavam alteração na ação da insulina. Por isso, a SM também é conhecida como Síndrome de Resistência Insulínica.
“Era como se a insulina encontrasse uma barreira e, assim, dificuldade para agir. Essa resistência insulínica desencadeia um conjunto de doenças, como Diabetes Miellitus tipo 2, hipertensão, triglicerídeos altos e HDL baixo (colesterol bom)”, explica o endocrinologista Nelson Rassi, especialista em Endocrinologia e Metabologia e chefe da Divisão de Endocrinologia do Hospital Geral de Goiânia Dr. Alberto Rassi (HGG).
Além dessas enfermidades, o indivíduo poder ter ácido úrico elevado, esteatose hepática (gordura no fígado) e, as mulheres, ovários policísticos. Pessoas acometidas por SM têm mais chances de sofrerem um Acidente Vascular Cerebral (AVC), infarto e agina – dor no peito causada pelo enfraquecimento dos músculos do coração.
Conforme informa o endocrinologista Alberto da Silva Dias Filho, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da American Diabetes Association (ADA), os sintomas da Síndrome Metabólica podem passar despercebidos. “O indivíduo pode sentir desânimo ou cansaço, no entanto, acredita que esses sinais são decorrentes do cansaço ou do envelhecimento”, diz.
Diagnóstico
De acordo com endocrinologista Nelson Rassi, o médico precisa ser perspicaz para diagnosticar a SM. “O especialista precisa valorizar os sinais que o paciente apresenta. Muitas vezes, esse chega ao consultório somente com uma queixa de excesso de peso. Desse modo, cabe ao médico perceber que o acúmulo de gordura, principalmente na região da barriga, não é questão de vaidade, mas de saúde”, alerta.

Como aponta Alberto Dias, cinco critérios precisam ser utilizados para diagnosticar a SM. Mensurar a circunferência abdominal, em geral, não deve ser superior a 88 cm em mulheres, e 102 cm em homens. Medir colesterol HDL, que não deve ser menor que 40 mg/dl no sexo masculino e 50 mg/dl no sexo feminino. Averiguar os níveis de triglicerídeos no sangue, este não deve ser superior a 150 mg/dl. Aferir a pressão arterial, se o indivíduo tiver, por exemplo, 135/85 mmHg, é hipertenso. Também é crucial observar se a glicemia está alterada, se estiver acima de 100 mg/dl e abaixo de 126/mg/dl, a pessoa pode estar com SM. “Se o paciente tiver três desses problemas, ele é diagnosticado com a síndrome”, diz.
Tratamento
Conforme orienta Nelson Rassi, a melhor maneira de tratar a SM, assim como o diabetes tipo 2, é perdendo peso. O primeiro passo é ter uma alimentação balanceada e praticar regularmente exercícios físicos. “Se o indivíduo não conseguir perder peso com essas duas atitudes, pode ingerir medicamos para ajudar no emagrecimento. Todavia, é crucial consultar um médico antes de tomar qualquer fármaco”, orienta.
O especialista corrobora que é preferível tratar a raiz do problema, a obesidade, em vez de ingerir diversos medicamentos para tratar as consequências do excesso de peso. “Se trato a obesidade, resolvo o problema. Só que tratar a obesidade não é fácil”, reconhece.
A cirurgia bariátrica também é uma opção para quem deseja eliminar todo o excesso de peso. Entretanto, Nelson Rassi diz que este é um procedimento agressivo e, portanto, deve ser realizado somente quando as outras alternativas forem esgotadas.
“Se pudéssemos ter um remédio com o mesmo efeito que a cirurgia bariátrica, seria ótimo. Na minha opinião, a bariátrica só deve ser feita em caso de obesidade mórbida, quando a pessoa realmente não consegue emagrecer”, opina.
Prevenção
A melhor maneira de prevenir a SM é se manter dentro do peso, ter uma alimentação saudável, fazer chek up anualmente e praticar exercícios físicos diariamente por pelo menos 30 minutos. Segundo Alberto Dias, a janela de prevenção da obesidade é feita precocemente, dos 2 aos 5 anos de idade. “Basicamente é nessa faixa etária que é possível intervir. Se depois dessa fase a criança continuar com excesso de peso, a chance dela continuar obesa para o resto da vida é de quase 50%”, alerta.
Desse modo, é crucial se manter dentro do peso. “Se a pessoa tem 100 quilos e reduz para 95 ou 90, diminui a chance de desenvolver diabetes tipo 2. O importante é eliminar de 5% a 10% do peso”, revela.
Dicas da nutricionista

Se você quiser prevenir a Síndrome Metabólica ou até mesmo eliminar o problema, é fundamental evitar alimentos industrializados ultraprocessados (biscoitos recheados, enlatados, sucos, dentre outros) e açucarados (doces, balas, refrigerantes, etc). Também é essencial passar longe de alimentos gordurosos (quitandas com gordura hidrogenada, gorduras de origem animal e gorduras trans, etc) e, ainda, temperos prontos e alimentos com muito aditivos e conservantes. Experimente usar diariamente gengibre em rama ou em pó como tempero.
Segundo a nutricionista Sueli Essado, pessoas que sofrem com SM devem seguir uma dieta adequada, calculada e personalizada de acordo com seu biótipo. O plano alimentar deve conter quantidades adequadas de vitaminas A, C e E, e, ainda, fontes de biocompostos que funcionam como anti-inflamatórios.
Vitamina A pode ser encontrada na cenoura, abóbora cabotiá, mamão, manga e folhas verde-escuras, como couve, espinafre, brócolis, etc. A C está presente na laranja, mamão, goiaba, caju, acerola – dê preferência às frutas, e não aos sucos. Castanhas, nozes amêndoas e óleos vegetais são excelentes fontes de vitamina E. Os biocompostos benéficos ao organismo são a maçã, vagem, repolho roxo, beterraba, uva roxa, etc.
Água filtrada também é fundamental para o bom funcionamento do intestino e para todo corpo, pois ajuda a eliminar toxinas acumuladas. Para saber qual é a sua necessidade diária, multiplique o peso em kg por 35, cujo total de água será dado em mililitros. Por exemplo: 70kg x 35 = 2.450 ml de água ao dia.
“Evite dietas ou alimentos da moda, nenhum deles são milagrosos. Fracione as refeições, evite jejuns desnecessários e procure não 'beliscar' a cada hora”, instrui a nutricionista. Se você não consegue fazer uma reeducação alimentar, procure uma nutricionista para te ajudar.
Reportagem publicada na Revista Goyaz



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