Creatina: vilã ou heroína?
- Denyze Nascimento

- 5 de fev. de 2017
- 2 min de leitura

Creatina é uma substância produzida pelo organismo e também pode ser encontrada em carnes vermelhas e brancas. Todavia, frequentadores de academias, desportistas e fisioculturistas (atletas de alta performance, que trabalham com explosão muscular) costumam ingerir suplementos hiperproteicos e vitamínicos, ricos em creatina, para melhorar o desempenho e reconstrução da musculatura, o que traz vantagens para atletas e profissionais que dependem da força muscular. Mas será que o excesso dessa substância causa algum prejuízo a longo prazo?
De acordo com o urologista Pedro Marcelo Neiva Pinheiro, membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), não existe comprovação dos efeitos da sobrecarga de creatina no organismo. Apesar da ausência de comprovações científicas sobre os malefícios do consumo dessa substância, sabe-se que as implicações da suplementação são mais negativas quando existe intensidade no uso. “Se a pessoa faz o uso de 20 gramas para poder em cinco dias ter o máximo de creatina no músculo, essa dose alta pode momentaneamente ser danosa ao organismo”, alerta. No entanto, o uso contínuo e, em doses controladas de produtos de qualidade comprovada, pode trazer benefícios aos atletas
Pessoas que apresentam tendência à formação de cálculos renais por aumento do ácido úrico ou tiveram pielonefrite, nefropatias crônicas, ou que nasceram com malformação congênita do trato urinário (refluxo, estenose de junção) ou perderam um rim, ou têm nefrocalcinose ou rins policísticos devem ficar mais atentas ao uso desses suplementos. “Nas diretrizes da Sociedade Americana de Urologia não existe nada específico sobre suplementos e cálculos renais, mas por analogia ao excesso de proteína, sobretudo de carne vermelha, aumenta a produção de ácido úrico. Então, será que a creatina não poderia também, eventualmente, causar uma preocupação nesse sentido por hipersaturação?”, indaga.
Suplementação com Creatina
Creatina, segundo o urologista, é a junção de três aminoácidos úteis no metabolismo celular. “Esse substrato de suplementação auxilia no transporte, dentro da célula muscular, da energia produzida nas mitocôndrias. Essa energia será usada na explosão muscular”, explica. Segundo o especialista, a creatina não é a proteína em si e que, em tese, não teria a chance de formar cálculos renais. “Seria de bom juízo a ingestão comedida. Todo excesso e toda escassez faz mal”.
O urologista esclarece que não deseja fazer apologia contra a suplementação, mas defende que existe uma carência de estudos mais esclarecedores sobre riscos e benefícios dessa suplementação. Por isso, recomenda a avaliação regular das funções básicas dos rins e do fígado por meio de exames da função renal, dosagem de proteína e hemograma. “Cada indivíduo é um universo diferente, a bioquímica não é idêntica e cada pessoa pode apresentar uma reação diferente com o mesmo produto.”
A Creatina retém água no organismo, podendo facilitar o aumento do peso e da massa muscular, comprometer a micção, deixando a urina mais concentrada, com mais sólidos do que líquidos, ocasionando mais pedras e cálculos. “Sugiro prudência. Existe muito mercantilismo em cima desses suplementos e não somente para melhorar a saúde das pessoas.”



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