HGG realiza a 4ª edição do Manhã Literária
- Denyze Nascimento

- 26 de jul. de 2023
- 5 min de leitura

“Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro...” O tempo chuvoso é ideal para os amantes da leitura. Não importa o lugar, seja em casa, na biblioteca, no ônibus e até mesmo em ambiente hospitalar, ler sempre é uma boa pedida. O hábito auxilia na prevenção de doenças neurodegenerativas, desperta sentimentos positivos, reduz o estresse e a ansiedade, melhora o sono e aumenta a sensação de bem-estar. Em síntese, a leitura em ambiente hospitalar pode ser um instrumento eficaz no combate às tensões provenientes do processo de hospitalização.
Ao encontro desses fatos, nesta manhã de terça-feira (14), especialmente chuvosa, o Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG) promoveu a 4ª edição do Manhã Literária, ação que faz parte do projeto Dose de Letras. Voltado para pacientes, acompanhantes e colaboradores, o evento foi realizado no Jardim da Solistência e contou com a presença das escritoras goianas Ana Cláudia Rocha, Dani de Brito, Karla Jaime e Lêda Selma. Na ocasião, elas falaram sobre suas carreiras e a importância da leitura, recitaram poesias autorais, conversaram com o público e distribuíram autógrafos.
Além do bate-papo com as autoras, os participantes puderam contemplar o Varal de Poesias, que teve textos selecionados por Lêda. Ao final do evento, o público recolheu as poesias que mais gostou. Ademais, diversos livros foram disponibilizados para doação, fazendo a alegria de quem estava presente. Com isso, muitos entraram na fila para terem o livro escolhido autografado.
Representantes do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (Idtech) também prestigiaram e participaram da Manhã Literária, como a presidente do conselho de administração, Zanyr da Paixão Chaud e Sá Abreu, o superintendente José Cláudio Pereira Caldas Romero, e o coordenador executivo Lúcio Dias Nascimento. Na abertura do evento, a presidente do conselho de administração do Idtech agradeceu à participação do público e destacou quão importante era a presença das autoras. “Nesta manhã, estamos diante de escritoras maravilhosas! Vocês vão ficar encantados com as obras e terão a oportunidade de conhecê-las, fazer perguntas e adquirir os livros. Aproveitem este momento tão bonito”, aconselhou Zanyr.
A cura pela leitura
Ana Cláudia admitiu estar feliz e honrada com o convite que recebeu para participar da Manhã Literária. “Estive aqui no HGG algumas vezes participando do Comunicadores da Alegria, hoje é a minha primeira vez nesse projeto literário”, confessou. Ela acrescentou ainda que a literatura é uma bênção na vida de qualquer indivíduo e que ler é um processo curativo.
Dani de Brito também acredita que a leitura pode ser um meio de recuperação e agradeceu ao público por participar do evento mesmo em meio à chuva. “Que bom que vocês desceram neste tempo frio para que pudéssemos ter essa troca de energia e carinho, isso deixa nossa alma mais leve.” Ainda de acordo com a escritora, além da temática amor, a poesia também abarca questões como dores, tristezas e emoções. “A poesia está nos olhos e no coração da gente. E como conseguimos enxergar e perceber as coisas”, comentou.
Em um misto de emoções, Karla Jaime agradeceu ao convite que recebeu. “É a primeira vez que colaboro com este evento. Estou realmente grata, emocionada, comovida e alegre de poder compartilhar esta manhã com essas pessoas, pois é notável o interesse delas. É demais saber-se querida, me senti assim hoje”, admitiu. Para a autora, o projeto do HGG é crucial para recuperação dos pacientes, pois com afeto e apoio tudo fica mais fácil. “O que seria de nós sem acessibilidade, empatia e troca? Essa humanização é fundamental para a saúde, seja dentro ou fora do hospital”, completou.
Lêda participa desde a 1ª edição do Manhã Literária. Desse modo, algumas pessoas questionam se ela é a madrinha do evento. “Se me derem esse título, ficarei honrada, pois este é um projeto lindo e grandioso”, enalteceu. Além disso, a autora destacou que a poesia está em tudo, desde a chuva que cai ao verde das folhagens, desse modo, todos podem ser poetas. Entretanto, Lêda frisa que para ser escritor é necessário ser observador para ter uma “dosezinha a mais de sensibilidade para captar, assimilar e desenvolver aquilo que se aprendeu.”
A reumatologista Dra. Fábia Mara Gonçalves Prates de Oliveira, diretora técnica e também diretora de Ensino e Pesquisa do HGG, lembra que o projeto Manhã Literária é essencial para os pacientes. “Nesses pequenos momentos conseguimos humanizar e melhorar o tempo de permanência deles aqui dentro do hospital, proporcionando momentos de prazer, alegria e descontração”. Segundo a Dra. Fábia, os pacientes vez ou outra comentam quão satisfeitos ficam com as oportunidades que têm dentro do ambiente hospitalar. “Alguns não têm acesso à leitura e também nunca tiveram a chance de presenciar a leitura de poesias e contos. Por isso, espero que este evento ocorra por muitos anos”, anseia.
Ao encontro do que disse a diretora técnica do HGG, Zanyr revela que está sempre pronta para fazer alguma ação. “Eu, como presidente do conselho do Idtech, louvo as atitudes que vão surgindo. Esse hospital é grandioso e fora de série. Assim, sempre temos momentos culturais, sociais, entretenimento, entre outros. Vamos crescendo cada dia mais.”
Depoimentos de quem participou
Internada há quatro dias no HGG, a dona de casa Rosimeire Gomes Morais, 52 anos, diz que tem o hábito de ler e elogia o evento. “Achei tudo lindo! A leitura nos leva para outro mundo, às vezes tudo que precisamos é fugir da nossa realidade.” Ao final da ação, Rosimeire escolheu a poesia “Aprender a Naufragar” do escritor Castro Alves para levar consigo.
Quem também se teletransporta para dentro dos livros é a doméstica Telma da Silva Santos, 32 anos. Internada desde sábado (10), a paciente mostra arrepios nos braços. “Veja como estou arrepiada! Estou apaixonada por este evento, assim como sou pelo meu namorado, que também escrever poesias. Ler desperta coisas gostosas e o coração da gente fica acelerado”, explicou entre risos. Telma selecionou a obra “Paixão e Erotismo” para ler.
A aposentada Magda Maria Silva Oliveira, 69 anos, internada há 12 dias para tratar obstrução carotídea, espera que haja outras edições do Manhã Literária, pois, na visão dela, o projeto incentiva a leitura. “O povão gosta de eventos assim. Quando estou lendo, parece que participo da história, nem vejo o povo chegar perto de mim.” Magda escolheu o livro “O Milagre da Eucaristia para Você” para ler enquanto permanece internada.
A colaboradora Leonara Alves de Oliveira, gerente de enfermagem da Clínica Médica do HGG, considera a Manhã Literária um momento incrível. “Nossos pacientes ficam em estado de vulnerabilidade, esse projeto de humanização que envolve literatura é um momento ímpar para eles, tendo em vista que muitos são humildes e não têm condições de comprar um livro. Sou grata por estar em uma instituição que se preocupa com essa parte de humanização”, agradece.
Dose de Letras HGG
Implantado em 2015 pelo Idtech, organização social que administra o HGG, o projeto Dose de Letras visa incentivar a leitura e, ainda, prevenir e minimizar os sintomas e efeitos negativos do período de hospitalização. Atualmente, o acervo de livros conta com aproximadamente mil obras, provenientes de doações, de todos os gêneros literários. O hospital recebe também doações de instituições como Biblioteca Pio Vargas e Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG), além de colaboradores e pacientes que foram beneficiados pelo projeto.
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